Caso Clínico

Apresento uma criança com 3 anos de idade, com diagnóstico de paralisia cerebral e síndrome de Down. Na consulta inicial a mãe solicitou que ele fosse capaz de ficar sentado sozinho no solo para brincar de bola com o seu irmão mais velho.

Então baseado no pedido da mãe é feita a primeira avaliação.
Descrevo para a mãe os pontos positivos da criança que estava sentada no seu colo. Por exemplo, que ele apresenta um bom sistema visual, pois explora com o olhar todo o ambiente terapêutico, também vocaliza e tenta apontar para o pianinho que esta na mesa. E logo que o aproximei para que ele tocasse tentou com a mão esquerda. Logo que ouviu o primeiro som do piano, sorriu com as mudanças das notas musicais, assim revela um bom sistema auditivo.

Percebo também que ele se mostra seguro emocionalmente e a mãe o estimula de forma bastante positiva. Saliento que ela o segura de forma boa no colo favorecendo o sentado com o quadril fletido, pelves neutra e o tronco retificado.

Tanto a mãe como a criança se sentem felizes, porque eu valorizo todas as competências do filho e da mãe.

Quando ele está mais a vontade comigo, solicito à mãe que o coloque sentado no solo com apoio das mãos dela e ofereço a bola para ele jogar.
Nessa postura avalio que falta a retificação do tronco e a flexão do quadril e ele tende a cair para trás, dessa forma ele não consegue jogar a bola.
Ensino a mãe a posicionar melhor o tronco, com pernas bem abertas dando melhor base de apoio para ele usar melhor as mãos.

Em seguida avalio também o sentado em banco (os pés ficam apoiados no solo) com mesa a frente para brincar (veja a foto). Nessa postura fica evidente a melhora da retificação e controle postural do tronco, ficando assim as mãos livres à frente para ele brincar com o piano na mesa.
Nesse momento já oriento a mãe a importância de ter em casa o mobiliário adequado para que ele brinque em diversas posturas com um bom alinhamento do corpo, incluindo também cadeira para o banho e para a alimentação.

Saliento também que na escola ele vai precisar de uma boa cadeira com o cinto de segurança e mesa adequada para ele realizar as atividades pedagógicas com ajuda. Nesses casos eu visito a escola para orientar o mobiliário e posturas adequadas para as diversas tarefas.

A tarefa é o elo entre o ambiente terapêutico e o paciente.
As aquisições de habilidades que ocorrem após uma lesão cerebral no paciente não são por acaso, este processo é influenciado pelo estímulo aferente que ocorre durante a utilização de estratégias de movimento repetidos no tratamento e por fatores internos e externos ambientais.

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Helenice Soares de Lacerda